"Era Natal. Lembro-me como se tivesse sido ontem. As folhas de papel amachucadas debaixo da mesa. Tentativas desesperadas de procurar as palavras adequadas. Adequadas a um desesperado. Eu. Eu que corria ansioso na inútil perseguição, na impossibilidade de reconquistar um amor que se vai, que desapareceu. E depois vê-la, a ela com outro, e não encontrar nem sequer a palavra mais simples. Sei lá... Olá. Olá como estás ? Olá, está frio. Olá, é natal. Olá, felicidades. Ou pior .. Olá, mas como... Ou então: olá, nunca te disse... Olá, amo-te. Mas o que é que tem isso agora a ver? Já não tem a ver com nada.(...) E à minha volta o silêncio daquelas estrelas embaraçadas. O ruído incomodativo das minhas lágrimas sem fim. E eu, estúpido, que procurava e tinha esperança de encontrar uma resposta. Dêem-me um porquê, um simples porquê, um porquê qualquer. Mas que palerma. Toda a gente sabe. Quando um amor acaba, pode encontrar-se tudo menos um porquê."